Maioria dos participantes de audiências nos EUA se posiciona contra tarifas sobre produtos brasileiros

Aranãs FM
Foto © Tomaz Silva/Agência Brasil

A maioria dos participantes das audiências públicas realizadas em Washington, nos Estados Unidos, manifestou-se contra a aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros. Dos 78 inscritos para apresentar argumentos, entre brasileiros e norte-americanos, 63 defenderam a retirada das tarifas ou a inclusão de produtos em listas de exceção, enquanto 15 se posicionaram favoravelmente às medidas, segundo o governo brasileiro.

Representantes de diferentes setores produtivos destacaram a importância dos produtos brasileiros para a indústria norte-americana. O vice-presidente da Centrorochas, Fábio Cruz, afirmou que as rochas naturais produzidas no Brasil possuem características únicas e são essenciais para o mercado dos Estados Unidos. Segundo ele, representantes do setor norte-americano apoiaram os argumentos apresentados pela entidade.

A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) também se posicionou contra a medida. A entidade ressaltou que os Estados Unidos são o principal destino das exportações brasileiras de calçados e que o Brasil representa uma alternativa estratégica para reduzir a dependência dos produtos asiáticos.

Já o Sindicato da Indústria do Ferro no Estado de Minas Gerais (Sindifer) destacou que cerca de 60% do ferro-gusa utilizado pela indústria norte-americana é importado do Brasil. Para a entidade, a adoção das tarifas elevaria os custos de produção nos Estados Unidos, posição que também recebeu apoio de empresas americanas.

As audiências tratam de duas investigações distintas. A primeira analisa supostas práticas comerciais consideradas desleais, envolvendo temas como desmatamento ilegal, propriedade intelectual, etanol e o sistema Pix, com proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A segunda, que segue até quinta-feira (9), discute a aplicação de uma sobretaxa de 12,5% a países que, segundo os Estados Unidos, não adotam medidas suficientes para impedir a importação de produtos fabricados com trabalho forçado.

A decisão final sobre a aplicação das tarifas está prevista para o dia 15 de julho.

 

*com informações de Agência Brasil

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