Gastos com bets cresceram 500% em três anos

Aranãs FM
Foto © REUTERS/Alexandre Meneghini/Proibida reprodução

O aumento dos gastos com apostas online, conhecidas como “bets”, tem impactado negativamente a capacidade de pagamento das famílias brasileiras. É o que aponta um estudo divulgado nesta terça-feira (28), em Brasília, pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo.

De acordo com a pesquisa, os gastos com esse tipo de jogo cresceram mais de 500% nos últimos três anos, desde a regulamentação das plataformas em 2023. Segundo o economista-chefe da CNC, Fábio Bentes, o volume mensal saltou de menos de R$ 5 bilhões para cerca de R$ 30 bilhões no período, evidenciando uma rápida expansão do setor.

O estudo alerta que, além do aumento expressivo das despesas, o risco associado às apostas pode comprometer o equilíbrio financeiro das famílias, especialmente em casos de perdas frequentes.

Mesmo em um cenário econômico mais favorável — com queda da inflação, maior oferta de crédito e melhora no mercado de trabalho — os dados indicam crescimento da inadimplência mais grave. A parcela de famílias que não terão condições de quitar dívidas nos próximos 30 dias passou de 11,5% em 2023 para mais de 13% em 2025, recuando levemente para pouco acima de 12% em março deste ano.

Embora o percentual de famílias endividadas tenha subido de 78% para mais de 80%, o impacto das apostas é mais intenso entre aqueles que já enfrentam dificuldades financeiras, ampliando o tempo de atraso e a incapacidade de pagamento.

A pesquisa destaca ainda que os efeitos são mais severos entre famílias de menor renda, com ganhos de até cinco salários mínimos. Nesse grupo, o espaço no orçamento é mais restrito, o que aumenta a vulnerabilidade ao endividamento. Diferentemente das famílias de renda mais alta, esse público apresentou aumento no nível de endividamento associado às apostas.

A CNC também observa que homens e pessoas com 35 anos ou mais estão entre os mais afetados, além de um crescimento da inadimplência entre indivíduos com maior escolaridade.

Diante desse cenário, a entidade defende o avanço de medidas de regulação e proteção ao consumidor. A proposta é que as apostas online recebam tratamento semelhante ao de produtos como bebidas alcoólicas e derivados do tabaco, com foco em políticas públicas e campanhas voltadas à prevenção do consumo excessivo, especialmente entre os grupos mais vulneráveis.

*com informações de Agência Brasil

Deixe seu comentário:

error: Conteúdo protegido!!