Audiência na cidade quer discutir, na sexta-feira (30), reclamações quanto a problemas recorrentes na telefonia móvel.

Entre os dias 23 de fevereiro e 6 de março deste ano, a população de Capelinha (Vale do Jequitinhonha) sofreu um verdadeiro apagão nos serviços de telefonia celular da TIM, operadora que atende a maior parte dos moradores do município. A interrupção do sinal por 15 dias seguidos não foi uma exceção. É uma constante e se agrava sobretudo durante as datas festivas e feriados prolongados, prejudicando, inclusive, o bom funcionamento dos serviços públicos, como saúde e segurança.
As denúncias sobre falhas no sistema da operadora foram feitas por moradores, prefeito, vereadores e outras autoridades e lideranças locais, durante audiência da Comissão de Transporte, Comunicação e Obras Públicas da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realizada na cidade nesta sexta-feira (30/6/17). Os participantes denunciaram também outras operadoras por falhas de comunicação, entre elas a Oi, responsável pela telefonia fixa.

O autor do requerimento para realização da audiência foi o presidente da comissão, deputado Fábio Cherem (PSD), que atendeu a pedido do vereador Cleuber Luiz (PSC). “O cliente paga em dia, mas não recebe serviços adequados. A ausência de sinal e as falhas na comunicação prejudicam até o atendimento prestado pelo Samu, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, que têm problemas para identificar as ligações que partem da TIM”, afirmou o vereador.

Presentes à reunião, profissionais do Samu confirmaram as dificuldades por que passam, relatando que a operadora de telefonia fixa que atua na região, a Oi, também não tem cumprido com sua obrigação de redirecionar para o número 192 as ligações que partem de outras operadoras de telefonia móvel.

Segundo eles, o Samu Cisnorje (Consórcio Intermunicipal de Saúde Macro Nordeste e Jequitinhonha) atende a 86 municípios da região e em cinco deles os problemas têm sido recorrentes. Além de Capelinha, também sofrem com problemas de comunicação as cidades de Itamarandiba, Minas Novas e Turmalina, na mesma região, além de Malacacheta (Vale do Mucuri), o que motivou o grupo a participar da reunião.

27/06/2017

Audiência pública na Câmara de Capelinha (Foto: Willian Dias/ALMG)

Segurança

O capitão Luís Sandoval Pires, da 23ª Cia. Independente da Polícia Militar, também confirmou as denúncias, ressaltando que a corporação “lida com situações de extrema urgência em que minutos podem fazer diferença entre a vida e a morte”. “Precisamos de uma comunicação ágil também na internet, para fazer rastreamentos e localizar pessoas. Essa deficiência da telefonia, principalmente da TIM, vem trazendo bastante transtorno para nós”, reforçou.

Outro que reconheceu o mal funcionamento do sistema de telefonia foi o presidente da Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Capelinha, Maurício Teixeira dos Santos Júnior. Ele disse que a TIM trabalha com equipamentos obsoletos e reivindicou melhorias, lembrando que a cidade conta com 40 mil habitantes e um comércio crescente e precisa de um serviço de telefonia eficiente.

O presidente da Câmara Municipal de Capelinha, Gedalvo Fernandes de Araújo, e o prefeito Tadeu Filipe Fernandes de Abreu queixaram-se, também, que vários distritos de Capelinha não têm acesso à telefonia celular e ficam completamente isolados.

Diante do grande número de reclamações, uma comissão de vereadores esteve na sede da operadora, em Belo Horizonte, onde protocolou ofício pedindo providências, mas até hoje não recebeu resposta da empresa.

Operadora se defende e aponta falhas de outras empresas

A representante da TIM, Fernanda Laranja, reconheceu que há falhas no serviço e admitiu que o sinal da empresa foi interrompido durante duas semanas, entre fevereiro e março, mas explicou que o problema ocorreu no processo de transmissão, devido ao rompimento de um cabo de fibra ótica. Segundo informou, a TIM aluga de outra operadora o serviço de transmissão e, por isso, não teve como resolver o problema em menos tempo.

Vivo

Quanto à dificuldade de comunicação nos distritos, Laranja explicou que essa é uma responsabilidade de outra operadora. Segundo ela, a faixa de frequência rural em Minas Gerais seria um compromisso assumido pela Vivo junto à Anatel, a Agência Nacional de Telecomunicações, quando da divisão do território nacional entre as operadoras de telefonia.

“Lamento, por isso, que representantes das outras empresas não estejam presentes à audiência”, afirmou.

Investimentos

Segundo Fernanda Laranja, a TIM tem um cronograma de investimentos para a região e prevê melhorias já em setembro. A empresa, de acordo com ela, está se preparando para construir seu próprio sistema de transmissão, inclusive com a instalação de internet 3G e 4G até o final do ano.

Contudo, a operadora tem esbarrado em algumas dificuldades, como a atuação de vândalos, que chegaram a invadir com trator os locais de trabalho. “Temos sido vítimas de atos de vandalismo, o que vem atrasando o nosso cronograma de investimentos”, disse. A denúncia foi confirmada pelo delegado da Polícia Civil, Tiago Rocha, que registrou algumas ocorrências.

Ao final da audiência, o deputado Fábio Cherem comprometeu-se, como presidente da comissão, a dar prosseguimento às demandas dos vereadores e moradores de Capelinha, intermediando as negociações e cobrando da TIM o cumprimento de seu cronograma de investimentos.